
ARTIGOS
"Adoção - Amor Programado" - Artigo
Estrela, 7 de Setembro de 2018
Em Setembro de 2018, a Profissional Psicóloga Ciméri Saraiva da clínica AVALIARE, a convite do Jornal Nova Geração de Estrela, escreveu um artigo sobre adoção. Confira em nossa página no Instagram

Hoje em dia, o sonho por gerar um filho vem sendo trocado pela opção da adoção para muitos casais. Seja por dificuldades naturais no processo de geração, seja por opção de maior conforto na escolha, seja para agregar crianças em sua convivência e por tantas outras causas. Mas a possibilidade de se poder escolher as características que nosso filho vai contemplar, sempre assustou e são casos de difícil aceitação no meio social. Tanto que muitos casais que hoje se habilitam para uma adoção não costumam dividir esta decisão com amigos, e às vezes tampouco com familiares mais próximos.
A maioria passa por um processo de fertilização, na tentativa de abrigarem em seu ventre uma criança própria, com as características do casal, mas cabe ressaltar que adotar uma criança é um ato muito maior que somente “gerar” um filho. É um ato de verdadeira coragem. De desvencilhar-se de seus propósitos para aceitar abrigar outros sonhos, perceber o outro. Aquele que não está dentro de si, que vem lhe trazer alegrias, mas que também exigirá uma contrapartida. Adoção é uma troca. Troca de afeto, de exigências, de amor construído. Estar disponível para aceitar educar uma criança e estar com a responsabilidade de um novo ser em suas mãos, que vem com uma bagagem preconcebida é especial. É um verdadeiro ato de DOAÇÃO.
Cabe ressaltar que a adoção é uma reeducação para ambos os lados. No entanto, é importante ter em mente algumas premissas, entre elas, de não colocar a responsabilidade sobre esta criança de lhes trazer felicidade. A ideia de adoção deve ser vista como uma escolha do casal. Portanto, este casal está se permitindo ser invadido pelas alegrias e pelas dificuldades que este ato vai gerar. Mas também, a criança que vem agregar, não deve ser vista como alguém que está implorando pelo amor daquele que lhe adota. De ambos os lados vão ocorrer problemas. Ao adotante passa a ideia que poderá exigir e que a criança precisa atender; e ao adotado está a ideia de que é preciso ser atendido em todos os seus pedidos, passando a fazer exigências cada vez maiores. Muitas vezes, crianças são adotadas com a ideia de cumprir papéis que já foram de outros, quando a adoção ocorre por casais que perderam seus filhos biológicos, e por certo esta equação dificilmente funciona. O tempo de adaptação é bem maior. É preciso que o casal se desvista das ideias anteriores daqueles filhos que se foram para abrir-se a novas experiências, com demandas diferentes das anteriores. É um RE-conhecer-se. Por esta razão, a convivência inicial é sempre difícil.
Importante ressaltar que o casal adotante precisa ter uma visão diferenciada sobre este ato de adoção. A ideia deve ser de interação, de complementação, de aprendizado. Deve existir um processo de luto. Luto por não poder ter filhos. Luto pelos pais que foram, caso tiveram filhos antes; luto pelos pais que pensaram em ser (para os filhos biológicos que não vieram); luto pelos pais que querem ser; para dedicar-se a um aprendizado de novos pais. De pais que esta nova relação vai oportunizar. Estando abertos para novos conceitos, novas vivências, novas experiências. É a reconstrução de uma nova identidade de família, agora com filhos adotados.
A inserção de um casal na lista de Habilitação para Adoção passa por um processo junto ao Poder Judiciário, e uma das exigências é uma Avaliação Psicológica. O processo de Avaliação Psicológica é muito importante e tem o papel de aferir motivações subjetivas e capacidade emocional para o exercício da função parental; oferecendo ainda uma visão completa do núcleo familiar e comprometimento para o ato da Adoção, identificando características do casal/pessoa candidato à Habilitação para Adoção. Este documento vai contribuir para uma melhor avaliação pelo juízo quanto à adoção de crianças pelo par familiar.
Ciméri Saraiva Lampert
Psicóloga Clínica/Forense
Especialista em Avaliação Psicológica
Especialista Terapia Casal e Familia

"Separação dos pais: a importância do pai na vida da criança e do adolescente" - Artigo
Estrela, 16 de Outubro de 2019
No dia-a-dia da clínica com crianças e adolescentes, é comum que estes sejam acompanhados por um adulto responsável.
Quando os pais são separados, a prática mostra (com poucas exceções), o quanto é raro o pai trazer a criança ou adolescente ao consultório, pois percebe-se com frequência a dificuldade até mesmo em agendar ou comparecer às consultas marcadas. Geralmente, quem costuma trazer a criança ao tratamento psicológico é a mãe. O que costumamos ver são mães preocupadas com seus filhos e que acabam por arcar com as questões da criança e com os custos de um tratamento (muitas vezes sozinhas). Se para nós, adultos, a separação costuma ser complicada, imaginem para uma criança ou adolescente… O divórcio acarreta perdas para todos envolvidos (da família idealizada, dos momentos em família com todos reunidos, da disponibilidade de tempo com os pais, da troca de casas) e gera culpas (eu poderia ter feito diferente, por que agi assim?).
No que diz respeito às crianças, é comum manifestarem a fantasia de terem feito algo errado e/ou manifestarem o desejo de ver toda a família reunida novamente. Especificamente quanto ao abandono imposto à criança ou adolescente pelo pai, ela poderá apresentar dificuldades por toda a vida: falta de confiança em si e nos outros, baixa autoestima, culpabilização pelo divórcio e/ou pelo abandono.
Talvez seja interessante entendermos que a separação se dá enquanto casal e que a criança ou adolescente devem ser preservados ao máximo de conflitos e de ausências. Continuar presente na vida do(a) filho(a) é essencial para mostrar que ele(a) é amado(a) e que poderá contar sempre com os pais (independentemente de estarem juntos ou não).
Temos aí uma questão sobre a qual é importante refletirmos: a criança ou adolescente já está passando por uma situação difícil – que é o fim do relacionamento dos pais. O divórcio acarreta diversas mudanças:
– a saída do pai de casa consiste em uma perda (psicológica e física) de sua presença
– às vezes é a criança quem saiu da própria casa e precisa também adaptar-se a um novo espaço
– conforme o acordo sobre a guarda da criança, ela passará a ver o pai somente aos finais de semana, ou poderá ter duas casas (o que também exige uma nova organização).
Andréa Gerhardt
Psicóloga
"A difícil arte do equilíbrio: como criar nossos filhos?" - Artigo
Estrela, 05 de Agosto de 2019
Todos nós, seres humanos, tendemos a extremos.
Ao nascer somos totalmente dependentes do outro para sobreviver e crescer com certo grau de autoestima e autonomia. Eis aí um grande desafio aos pais: encontrar o equilíbrio na criação do bebê.
De maneira geral, existe uma tendência dos pais a dois tipos de comportamentos: superproteção da criança ou um certo descuido (que pode beirar a negligência), seja no cuidado, amor e/ou atenção. Como bem sabemos, as consequências dos extremos costumam ser negativas.
Como exemplo, em ambos os casos teremos crianças com baixa autoestima: as primeiras tendem a acreditar que não são capazes de fazer algo sozinhas (pois os pais as privaram de experiências consideradas ameaçadoras ou “perigosas”) e as segundas tendem a não sentirem-se dignas de atenção, afeto e amor (pois não tiveram suas necessidades mínimas supridas).
Acredito que este seja o maior desafio da vida: equilíbrio. Talvez o melhor que podemos fazer pelos nossos filhos é dar atenção e amor à criança, deixando-a segura e livre para arriscar-se nas diferentes etapas da vida.
A mensagem que pode resumir nosso papel é mais ou menos esta: “filho(a) vai lá e faz, te arrisca, és capaz … se der errado, estarei aqui te esperando”.
Afinal, o que todos nós precisamos saber é onde está nosso porto seguro: quem estará conosco, seja na infância, adolescência, final da vida ou em momentos de crise (seja ela financeira, de saúde, relacionamento, ou outra)?
Andréa Gerhardt
Psicóloga

"Hora do boletim escolar" - Artigo
Estrela, 12 de Julho de 2019
Estamos no período de receber os boletins escolares. Este é um momento oportuno pra gente pensar e repensar nossas práticas com os estudantes da família. Se a criança ou adolescente está com os pareceres, comportamento e notas dentro das expectativas tendemos a ficar felizes e orgulhosos. No entanto, quando ele(a) não atinge os objetivos tendemos a procurar “culpados”: a criança, a escola, a professora ou nós mesmos. Antes de culpar alguém, procure transformar este momento numa oportunidade de aprendizado para os filhos (e para você também).
Algumas dicas podem auxiliar neste momento:
– Elogie seu filho pelas conquistas que obteve até o momento: por ter se adaptado na escola (quando a escola for nova), por ter apresentado um comportamento adequado, por ter conseguido realizar as tarefas, por ter se esforçado.
– Lembre-se: mais importante do que a nota é o quanto ele(a) aprendeu e se dedicou para as atividades escolares.
– Se ele(a) não conseguiu alcançar a média em alguma disciplina, evite criticá-lo.
-Em caso de dificuldades, procure descobrir o que está acontecendo conversando com ele(a): está convivendo bem com os colegas? Entende o conteúdo que a professora transmite? Tem feito os trabalhos e temas escolares? Consegue realizar o tipo de prova?
– Procure conversar com a escola. Caso haja indicação para um especialista, lembre-se que existem diversas áreas que podem contribuir para o desenvolvimento da criança e adolescente!
Andréa Gerhardt
Psicóloga

"Como está a autoestima de seu(sua) filho(a)? - Artigo
Estrela, 12 de Julho de 2019
A autoestima consiste na imagem que temos sobre nós mesmos, podendo ser positiva ou negativa e se forma desde a infância. Ideias como: não faço nada certo, ninguém gosta de mim, sou burro(a), sou feio(a), demonstram baixa autoestima e interferem diretamente nas relações da criança com o mundo. O nosso papel enquanto pais de uma criança é de demonstrar que a criança é amada e que o mundo pode ser um local seguro. Se nós somos a referência para nossos filhos, como explicar que frequentemente nos deparamos com a cena de um pai ou mãe xingando o filho: tu fazes tudo errado, que feio, teimoso, tu és muito brabo, chorão? Ao criticar constantemente as ações de uma criança, o que estamos fazendo com ela?
Se, ao errar, a criança é constantemente criticada, ela acaba por acreditar que é má, feia, teimosa, incapaz de realizar as atividades e acabará correspondendo ao que esperam dela.
O QUE FAZER PARA MELHORAR A AUTOESTIMA DA CRIANÇA?
– Procure dar atenção quando a criança solicita, ela deve sentir que alguém tem interesse em ouvi-la e interagir com ela.
– Se a criança fizer algo errado, cuide para não descarregar suas frustrações nela.
– Evite comparações entre irmão, primos, colegas e amiguinhos.
– Lembre-se que cada um é único e tem facilidades e dificuldades. Elogie o que a criança faz bem e procure motivá-la para superar dificuldades.
– Quando a criança não tiver o comportamento esperado, abaixe-se na altura de seus olhos e explique a situação (com palavras que ela entenda) e diga o que espera dela.
– Se ela realizar algo que se espera, elogie-a.
– Ajude a criança a entender o que ela está sentindo: medo, raiva, tristeza, frustração fazem parte da vida e, muitas vezes, a criança não sabe lidar com eles.
– Qualquer ação, para que ocorra novamente, deve ser estimulada.
– Não exija perfeição. Pessoas perfeitas não existem.
– Abrace e beije-a, afeto sempre é bom.
Tenha sempre em mente que a criança que sente-se amada tenderá a ter autoestima elevada e estabelecer relações sadias ao longo da vida.
Andréa Gerhardt
Psicóloga
